RECUSA
não quero dar pão à dor
nem colher brita
na vereda das horas.
não ergo palavra
não acendo voz
não digo de saudade,
esse rio que cava tua face
nem do vazio
que ocupa o sofá
nem do frio
que meus pés herdaram
boca,
trapiche sem ancoragem
peito guarda
demolição, cinza, eco
que não entrego ao cosmo
não quero escrever
entretanto,
vês:
cada recusa é escrita
mão (teimosa)
insiste
em desenterrar palavras
Anna Liz
Enviado por Anna Liz em 04/07/2026
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